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quarta-feira, agosto 15, 2012

Iniciática

Esgarça
a gaze branca que me cobre.

Na meia-taça
derrama qualquer bebida,
mesmo a menos nobre.

Tinge de chamas, aguardentes,
se embriaga em auréolas rosadas
- de anjo elas não têm nada -

Asas caídas, no meu céu ungido:
Segue esse líquido até perto do umbigo.

Percorre um Zênite, a anca
junção do Elísio e Inferno,
e dorso-ventral
e inversamente
desemboca sua boca na nascente.

Absorve o seu Karma
meu gozo e presente:

Absolvo sua alma,
conservo seu corpo,
éter e semente...


segunda-feira, outubro 17, 2011

Exilada de Nêmesis

Ela tem uns olhos desbocados,
onde nadam peixes de outras eras.

Traz neles medos cambrianos
e a ambição desenfreada das moneras.

Esse abismo recoberto de folhagens,
quando abre em armadilha
para o tempo, os bandolins, as aves,
num silêncio precedente de desastres.

Essa força incontrolável,
quando encontra um alvo
a gente logo sente o vórtice,
anticiclone fundo e sem barulho.

É como um deus imenso
tomando fôlego antes do mergulho.

terça-feira, setembro 20, 2011

Altar de Sacrifício

Profana meu corpo
- o Templo dele -
num Sabá de fúria e desespero.


Crava em mim tua adaga
molhada de cinismo fétido
e diz que me ama.


Joga um feitiço,
acende uma vela vermelha e profana,
desenha um pentagrama,
me faz gozar de quatro
nesse altar


Faz-me sacrílega
desse deus omisso e inclemente
antes que eu comece
a me sacrificar.



(poema do meu livro LEOA OU GAZELA, TODO DIA É DIA DELA)